MÃE SOLO – JANAÍNA PEREIRA


Podcast da Filhos no Currículo – Segunda temporada MÃE NÃO É TUDO IGUAL

Não teve tempo de ouvir o episódio dessa semana? Relaxa!

Separamos algumas das nossas partes preferidas no papo com a Janaína Pereira, gerente de vendas na Samsung e mãe da Fábio. Confere aqui embaixo!

Camila Antunes: Como foi a experiência da maternidade pra você?

Janaína Pereira: Nenhuma maternidade é igual, mas existem experiências que a gente pode trocar.

Como perdi minha mãe muito cedo, essa questão da maternidade, de cuidar, de acolher as pessoas sempre esteve muito forte dentro de mim. Essa coisa de cuidar e acolher sempre esteve muito forte em mim. E aí, depois de ter perdido um bebê, um médico falou que era pra eu desistir, porque eu tinha cinco miomas e não teria filhos. Aí parei de tomar o anticoncepcional e coloquei nas mãos de Deus. Mas engravidei em outubro de 2017!

Conciliar a maternidade com o trabalho, quando não há pandemia, você cuida, troca, manda pra escola, a escola cuida e você pega de volta no final do dia. Nunca fui uma mãe que pensou em parar de trabalhar para cuidar dele. Pensava que agora sim eu precisava trabalhar ainda mais para poder cuidar do meu filho.

Eu sentia que o meu casamento não ia durar e que eu ia ter que cuidar dessa criança sozinha. Me separei quando o Fábio tinha 1 ano e 6 meses. Eu nunca me culpei, pensando que seria mãe solteira. Sempre agradeci muito a Deus. À noite eu esperava ele dormir, já arrumava a malinha do dia seguinte e depois ia dormir, já exausta.

Quando eu voltei da licença-maternidade, depois de ter tido uma gestação de atenção e ficar muito tempo fora, achei que ia ser dispensada. Só que o medo traz uma retração. E eu nunca senti medo. Pensei que ia dar o meu melhor e que se acontecesse, tudo bem, porque eu arrumaria outro trabalho.

O preconceito existe, sim. Em uma ocasião me falaram que eu não poderia assumir um determinado cargo porque “agora eu tinha filho”. O Fabio não atrapalha em nada a minha carreira. Se eu tiver de viajar a trabalho, vou dar um jeito. Acredito que seu eu tiver garra, eu consigo.

Hoje eu não me vejo sem o Fábio. Se tiver uma festa que ele não possa ir, eu não vou. Agora trabalho eu arregaço as mangas e vou até o fim. Ninguém tira de mim a vontade de dar a melhor educação e alimentação para o meu filho. Passeio, brinquedo, viagem são coisas que vem com o tempo.

Ele tem uma mãe que ama ele tanto, tanto, que faz tudo por ele e nada vai me deixar parar por ele.

Em uma empresa coreana, funcionária mulher tem de sair correndo para conseguir conquistar seu espaço. Eu sou verdadeira, tomo cuidado, falo com educação. Eu sei o que está acontecendo. Eu acho que quando a gente vira mãe, a gente tem uma sensibilidade de olhar as coisas que é inacreditável. Se eu tiver que dar dois passos para trás pelo meu filho, eu vou dar.  Meu melhor papel é ser mãe.

A gente começa a olhar a vida de uma outra forma. Não é o dinheiro, a profissão. Eu não quero estar num nível alto, com funcionários. Não quero nada disso. Eu quero trabalhar bem e ser reconhecida pelo meu filho, porque lá na frente ele vai ver quem é a mãe dele. E eu quero ter saúde pra olhar as conquistas do meu filho.

Camila Antunes: O que o Fábio trouxe de habilidade para o seu currículo, que faz diferença pra você como profissional?

 Janaína Pereira: A gente quando vira mãe, a gente começa a perceber “N” habilidades. A principal delas foi a adaptação. Me tornei uma pessoa adaptável. Muitas mulheres não tem a coragem que eu tive. A minha separação se chama amor próprio. Claro que muitas mulheres não podem sair de casa. Quando eu me casei, eu já tinha minha estabilidade. E quando eu resolvi ter o Fábio, já olhei lá pra frente e pensei que se acontecesse uma separação, eu vou conseguir sustentar o meu filho. Sou uma mãe brava, mas também que tem um amor enorme, e isso ele vai levar pra vida.

No trabalho, eu tenho que me adaptar. Adaptar a quem me olha torto por ser mulher, por ter voz ativa, por enfrentar os homens para ter as mesmas condições. Eu estou fazendo a mesma coisa que meus pares homens, que é levar o sustento pra casa, só que eu sou mulher

Eu me orgulho da mulher que eu me tornei. Sou uma mãe 24 horas por dia durante a pandemia. E quando a escola voltar, vou arrumá-lo, amo preparar o lanche dele. E também amo o meu trabalho. Além de amar, é de lá que eu tiro a escola do meu filho, a alimentação, o uniforme.

Eu não me rebaixo por homem nenhum. Sou adaptável. Posso mudar de área, de função. Só não ache que por ser mulher, sou sexo frágil. Choro quando falo às vezes de emoção de saber que tenho saúde e um filho maravilhoso, que me fez ver o mundo de outra forma, me fez ter muito mais empatia, a olhar mais para o próximo. Tenho muito gratidão pela vida.

Quer ouvir o episódio na íntegra?

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