MÃE INVISÍVEL – JOYCE GUERRA


Joyce Guerra, mais conhecida como Jobis, é escritora, palestrante e ativista, mãe de Estevão, Marilis e Cristovão, casada desde 2004 e cega. Jobis sofreu inúmeros preconceitos a partir do momento que contou da sua gravidez, mas se impôs para ter autonomia e construir vínculos com suas crianças. Não, ela não quer ser vista como um exemplo e nos explica o porquê nessa conversa comovente. Reserve seu lugar nessa viagem e se prepare para navegar por um mar de aprendizados. Confira um pequeno trecho do episódio aqui.

Camila Antunes: para quem tá ouvindo a gente, a Jobis apareceu na minha vida porque estamos fazendo alguns conteúdos para incluir E de repente recebi um texto que chama ‘A maternidade invisível’ e acho que tem muito do que vamos conversar aqui. Você me comoveu muito com a sua mensagem MAS VOCÊ NÃO É UM EXEMPLO! Você quer começar me contando o que isso significa?

Joyce Guerra: enquanto movimento, enquanto ativista, questionamos muito a história do exemplo. O exemplo não gera engajamento social. Então você pensa: ‘nossa, Jobis, ela não enxerga, está fazendo duas graduações, um pós graduação, tem três filhos, um marido, a mulher é um exemplo.’ E quando começamos a pensar isso, voltamos ao mito da mulher guerreira, que faz tudo e mais um pouco e isso não gera engajamento social. O questionamento que acabamos fazendo não é sobre a mulher maravilhosa e tem uma jornada quádrupla mas sim ela não devia ter uma jornada quádrupla, tem algo acontecendo. Uma pessoa com deficiência que tem uma vida bacana, tem uma vida funcional é um exemplo e não! A gente não vem de geração espontânea, se você pegar qualquer pessoa com deficiência bem sucedida você vai ter um caminho pedagógico que foi trilhado com responsabilidade. Provavelmente você terá uma família engajada, que apostou nessa pessoa, uma série de direitos adquiridos e óbvio que entra a questão do esforço e do nosso comprometimento. Mas essa questão do comprometimento e esforço vale para todos, qualquer pessoa, com deficiência ou não, para conquistar algo precisa se esforçar. Então o exemplo não gera engajamento, é geração espontânea, então eu não preciso fazer nada.

Para ouvir ao episódio na íntegra, aperta o play.

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